Aprendizado de Júnior para Sênior

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Por quê fazemos o que fazemos?

Em se tratando das dinâmicas de uma Empresa Júnior, não há dúvidas de que um dos fenômenos mais característicos – e interessantes – é o engajamento de pessoas que trabalham sem remuneração. Isso porque geralmente o engajamento não é por causa de “não se ganhar por hora”, nem por semana, nem por projeto – a Empresa Júnior pode até reinvestir o valor de suas consultoria em sua estrutura, mas este valor não é repassado para seus membros na forma de salário. E o que é que tem isso?

Até aqui, o que foi apresentado não passa de uma série de constatações acerca da natureza operacional de uma Empresa Júnior. Isso porque o mais interessante não é o simples fato de empresários juniores ao redor do país não serem remunerados. O que é deveras intrigante é que, mesmo sem remuneração, vê-se um engajamento incrível por parte dos membros não só dentro de duas respectivas empresas como em todo o Movimento Empresa Júnior. Como é possível motivar alguém a despender seu tempo e entregar resultados sem oferecer uma recompensação salarial por isso? A resposta é mais simples do que parece: aliando oportunidades de desenvolvimento, sensemaking e sentimento de dono.

A primeira questão importante é reconhecer como falácia a seguinte frase: empresários juniores trabalham sem ganhar nada por isso. Em termos objetivos isso não procede, uma vez que há um enorme desenvolvimento técnico ao se trabalhar, por exemplo, prestando consultoria a clientes externos. Já em termos subjetivos, a falácia fica ainda mais clara. O desenvolvimento técnico não passa de uma das muitas facetas da evolução de um membro, que é também capacitado em outras frentes, como trabalho em equipe e relacionamento interpessoal – e isso se dá não só na prática, mas também por meio de treinamentos.

Então há sim uma troca e um reconhecimento entre o que um membro de Empresa Júnior dá e o que ele recebe efetivamente. Até aqui, em todas as empresas seniores do mundo também há essa troca (afinal, os cargos são assalariados) e nem por isso os colaboradores são motivados. Nisso, entra não só a questão do sensemaking como fator motivacional, mas também o sentimento de dono.

O sensemaking consiste em atribuir significado ao que aparenta não tê-lo; em termos mais práticos, envolve a significação desde os pequenos processos do dia a dia até a missão e visão da empresa. É a essência da cultura de Empresa Júnior que as pessoas contemplem o impacto gerado por cada atendimento comercial, cada projeto concluído, cada feedback passado.

Por fim, e não menos importante, o sentimento de dono, tão típico do empresário júnior. Tal sentimento consiste na sensação de, em detrimento da sensação de mera subordinação, se sentir como proprietário da empresa, e mais do que isso, como responsável pelo andamento e continuidade desta. O extraordinário consiste não no fato de o sentimento em si existir, mas no fato de esse sentimento ser compartilhado. No caso da EJFGV, temos orgulho de ter uma empresa inteira de donos. Isso se consegue por meio do empowerment; do trainee ao presidente, pois todos têm voz nas decisões mais corriqueiras, nas decisões a longo prazo e no planejamento estratégico como um todo.