Muito além do xeque-mate

XADREZ

Dentre uma vasta gama de definições, o processo de planejamento estratégico empresarial pode ser compreendido basicamente como a elaboração de um plano para viabilizar a sobrevivência (e rentabilidade) de uma empresa. Entretanto, os últimos anos têm evidenciado que muitas pequenas e médias empresas ainda não sabem utilizar esse ferramental estratégico a seu favor.

Como em um jogo de xadrez, toda e qualquer empresa possui uma espécie de xeque-mate, um objetivo definido a priori, que consiste essencialmente na geração de lucro. Ocorre que a clareza desse objetivo frequentemente acaba por ofuscar a importância de se traçar um planejamento estratégico mais detalhado, uma vez que o “xeque-mate” é visto como um plano em si, e não um objetivo. Em se tratando de PMEs, esse fenômeno é ainda mais comum; no Brasil e no mundo, a grande maioria nem sequer realiza algum tipo planejamento ou não possui um processo de planejamento estratégico estruturado. Mas, afinal, por que empresas de menor porte têm mais dificuldade de conceber essa visão estratégica?

São muitas as respostas para esta pergunta, que, por sinal, já despertou o interesse de diversos pesquisadores e acadêmicos. Primeiro, as pequenas e médias empresas, por disporem de menos recursos, possuem também menos colaboradores. Como naturalmente se prioriza toda e qualquer operação ligada ao core business, não há quem esteja disponível para sair do operacional pensar a estratégia. Analisando a questão de forma mais pragmática, é perfeitamente compreensível que negócios de menor porte deem maior atenção às operações do dia a dia; as margens tendem a ser menores, o caixa mais vazio e a concorrência impetuosa, o que torna a perda de ritmo operacional impraticável.  E o sócio, não deveria ser ele o encarregado de “pensar o negócio”?

De fato, em empresas de menor porte, são os sócios que geralmente tomam as rédeas do planejamento. Mesmo assim, tal planejamento raramente adentra o campo estratégico, sendo muito mais um controle gerencial do que um pensamento a longo prazo. Parte disso se dá por conta do perfil familiar das PMEs brasileiras, culminando em um número escasso de gestores com formação administrativa. Por outro lado, falta divulgação de informação sobre administração estratégica, especialmente para descomplicar o que muitos complicam. Não se pode ter a ilusão de querer implementar em pequenas e médias empresas os mesmos processos e controles estratégicos de gigantes multinacionais. Uma boa estratégia é uma estratégia feita sob medida para cada negócio.

Na Empresa Júnior Fundação Getulio Vargas, buscamos sempre descomplicar nosso processo estratégico, e acreditamos que nossa atitude mais objetiva em relação ao planejamento empresarial possa servir de base – ou ponto de partida – para outras organizações. Antes de tudo, há de se definir o modelo de atuação da empresa e sua razão de ser (respondendo “por que ela existe?”). Depois, há de se pensar para frente: aonde queremos chegar? É crucial traçar uma visão de futuro para empresa, projetando de forma clara o que se espera atingir até determinada data. Dando suporte à visão, devem ser pensados indicadores de controle estratégico, para viabilizar não só um acompanhamento, mas também possíveis correções referentes ao plano traçado originalmente.

Ao longo dos anos, temos percebido que a participação plena de todos os colaboradores nesse processo é essencial para um planejamento que desafie e motive ao mesmo tempo.

Nossa visão? Até 2017, estar entre as consultorias referência para o mercado de PMEs.

E você, aonde quer estar em 2017?

  • 21 de Janeiro de 2016
  • | Categorias: Gestão