O que fazer – e o que não fazer – frente à adversidade

overcoming_adversityEis um tema que, apesar de parecer quase elementar, mostra-se relevante uma vez que certos padrões de comportamento, desencadeados por um pessimismo generalizado, repetem-se como pragas no contexto empresarial brasileiro e mundial. Para analisar criticamente decisões tomadas “no fervor da crise”, há de se estar não só plenamente ancorado em um sólido arcabouço teórico-conceitual, mas também preparado para dar um passo para trás, sair do operacional (mesmo que momentaneamente) e deixar de lado vendas não concretizadas ou fluxos de caixa negativos.

            Comecemos nossa análise pedindo licença poética para ignorar a ordem pressuposta pelo título para atacar o ponto mais crítico: as decisões a serem evitadas a qualquer custo.

 

O que não fazer

  1. Abrir mão de recursos valiosos

            Crise, ao redor do mundo, é sinônimo de corte de custos. Além de acarretar na diminuição das receitas, a queda no volume de vendas aplica peso extra aos custos fixos das empresas. Frente a essa realidade, com excesso de contas a pagar e falta de contas a receber, a reação natural – e não necessariamente equivocada – é rever o orçamento.

            O problema é o que vem depois. Frequentemente, recursos valiosos (na forma de pessoas, tecnologia ou know-how) são jogados na lata de lixo por representarem pressão demasiada nas contas da empresa. Isso sem que sejam formalmente avaliados os ganhos proporcionados por tais recursos. Como resultado, pode até haver alívio temporário, mas, a longo prazo, perdem-se ativos fundamentais para a obtenção de vantagens competitivas. O horizonte da empresa passa a ser a sobrevivência, e a obtenção de lucros futuros torna-se um sonho distante.

  1. Reestruturar desesperadamente

            Uma recessão econômica interfere até mesmo nos resultados das melhores empresas. Isso, contudo, não quer dizer que a empresa deva repensar totalmente seu modelo de negócios. De fato, existem casos em que uma situação externa menos favorável somente evidencia incoerências e falhas internas. Nessas circunstâncias, é válido – e necessário – o repensar estratégico.

            Todavia, há de se evitar a mudança estratégica infundada, seguindo a lógica de “mudar por mudar”. Um desempenho abaixo da média histórica durante uma crise econômica não é pretexto para se jogar fora anos de expertise em determinado modelo de atuação.

  1. Não reagir

            A última decisão a evitar é, na verdade, uma não-ação. Apesar de ser necessária muita cautela para evitar decisões equivocadas, não se pode sentar e esperar que tudo melhore. Entre as ações que podem ser tomadas para aumentar a eficiência de uma empresa, destacam-se a reengenharia de processos e a eliminação de recursos não valiosos.

 

O que fazer

            Tendo definido o que não fazer, fica muito mais fácil sugerir ações factíveis e conscientes para melhorar o desempenho a despeito da crise econômica. Há de se analisar recursos formalmente, seguindo a metodologia VRIO para definir se há vantagem competitiva gerada a partir deles. Olhando sob uma perspectiva mais macro, a crise pode escancarar erros de concepção e modelo de atuação. Pode ser necessário repensar toda a base estratégica do negócio.

            Ênfase no “pode”. “Pode”, porque isso está longe de ser lei. Conclui-se que, em tempos de nervos à flor da pele, o fundamental é valorizar uma análise lúcida – e, acima de tudo, usar essa análise para tomar decisões – agora sim – embasadas.

 

  • 28 de Maio de 2016
  • | Categorias: Gestão