Black Friday: 10 dicas para não cair em golpes presenciais ou on-line

A Black Friday se consolidou como um dos principais fenômenos contemporâneos do varejo global.

Mais do que um evento promocional, ela se tornou um termômetro do comportamento de consumo, um laboratório para estratégias comerciais e um campo de observação privilegiado para pesquisadores interessados em economia digital, confiança do consumidor e segurança online.

No Brasil, o evento ganhou contornos próprios.

O país figura entre os mercados que mais aderem à data, impulsionado pela expansão do e-commerce, pelos avanços em meios de pagamento digitais e por mudanças no perfil socioeconômico da população.

Essa combinação colocou a Black Friday no centro das análises sobre infraestrutura logística, competitividade empresarial e mecanismos de regulação comercial.

Ao mesmo tempo, o crescimento da data expôs desafios.

Fraudes, manipulação de preços, práticas abusivas e golpes digitais passaram a acompanhar o interesse dos consumidores, e com intensidade crescente.

Estudos da ClearSale, do Procon e de consultorias privadas mostram que o volume de tentativas de golpe aumenta de forma expressiva nas semanas que antecedem o evento, revelando uma disputa constante entre segurança tecnológica e criatividade criminosa.

Portanto, compreender a Black Friday exige olhar além dos descontos anunciados.

Visto isso, é necessário analisar sua origem, sua evolução histórica, sua adaptação ao contexto brasileiro e, sobretudo, os mecanismos que permitem aos consumidores se protegerem.

Este artigo apresenta esse panorama completo, com base em dados de mercado, relatórios de segurança digital e pesquisas de comportamento, seguido de 10 recomendações essenciais para evitar golpes e aproveitar o melhor da data.

Confira os tópicos deste guia:

  • O que é a Black Friday?
  • A história da Black Friday
  • Quando é a Black Friday?
  • Black Friday no Brasil
  • O comportamento do consumidor brasileiro na Black Friday
  • Os principais riscos durante a Black Friday
  • Importância do planejamento financeiro na Black Friday
  • Como analisar o histórico de preços?
  • Como identificar lojas confiáveis?
  • 10 dicas para não cair em golpes na Black Friday
  • Primeiro passo

O que é a Black Friday?

A Black Friday é o maior evento promocional do varejo mundial, marcado pela concentração de ofertas em múltiplas categorias de produtos e serviços.

Embora tenha nascido como um fenômeno norte-americano, tornou-se uma referência internacional, adotada por mercados de diferentes portes e perfis econômicos.

A base do evento está no comportamento do consumidor.

A Black Friday funciona como um ponto de inflexão na temporada de compras, servindo tanto para estimular o consumo pré-Natal quanto para liquidar estoques acumulados.

Isso explica por que a data ganhou relevância estratégica para empresas de todos os segmentos.

Além disso, no ambiente, a Black Friday adquiriu ainda mais poder.

A ampliação do e-commerce, a consolidação dos marketplaces e o aumento do acesso a dispositivos móveis transformaram o evento em um pilar essencial do calendário comercial global.

História da Black Friday

A expressão Black Friday surgiu nos anos 1950, na Filadélfia, estado norte-americano, como uma referência ao caos urbano observado após o feriado de Ação de Graças.

Além disso, o termo era usado pela polícia para descrever congestionamentos, acúmulo de pessoas nas ruas e incidentes decorrentes do início do período de compras de fim de ano. A partir da década de 1980, entretanto, o uso do termo passou por uma ressignificação.

Varejistas começaram a utilizar a expressão como símbolo do momento em que seus balanços financeiros deixavam o “vermelho” e passavam ao “preto”, indicando lucro.

Essa narrativa ganhou força ao integrar campanhas de marketing e estratégias comerciais.

Com o crescimento da internet, o cenário mudou novamente.

O comércio eletrônico potencializou a Black Friday, ampliando a sua visibilidade e atraindo um novo perfil de consumidor.

A data passou a ser usada como referência para o planejamento de compras e para o desenvolvimento de metodologias de precificação baseadas em históricoecomportamento de mercado.

Quando é a Black Friday?

A Black Friday ocorre sempre na sexta-feira seguinte ao Thanksgiving, celebrado nos Estados Unidos na quarta quinta-feira de novembro.

Visto isso, a data se altera a cada ano.

Exemplos recentes:

  • 2024: 29 de novembro
  • 2025: 28 de novembro
  • 2026: 27 de novembro

Embora a data original seja mantida, diversas empresas antecipam as ofertas desde o início do mês no Brasil.

Portanto, o consumidor precisa analisar com atenção o histórico de preços e a reputação dos vendedores ao longo das semanas anteriores. Sites úteis para a consulta de datas: Time And Date e Calendarr

Black Friday no Brasil

Dezenas de pessoas reunidas em uma loja em dia de Black Friday e segurando caixas com eletrodomésticos em promoção

A Black Friday chegou oficialmente ao Brasil em 2010, por meio de plataformas de comércio eletrônico que começaram a importar a estratégia norte-americana.

Desde então, o evento cresceu de maneira exponencial e tornou-se parte importante do calendário comercial brasileiro.

Segundo estudo da Ebit Nielsen, a Black Friday brasileira já movimentou mais de R$ 6 bilhões em um único ano, levando o país a figurar entre os mercados mais fortes do mundo no período.

O consumidor brasileiro, aliás, possui um comportamento peculiar: costuma pesquisar preços por semanas, utiliza comparadores de preços e demonstra cautela em relação a golpes.

Essa cautela é explicada por episódios frequentes de práticas enganosas, incluindo:

  • Falsos descontos
  • Aumento prévio de preços antes do evento
  • Sites fraudulentos que imitam grandes varejistas
  • Golpes via PIX e redes sociais
  • Anúncios inexistentes em marketplaces

A expressão “Black Fraude” surgiu justamente para ironizar casos de preços manipulados.

Órgãos públicos e entidades de proteção ao consumidor, como Procon e Senacon publicam anualmente cartilhas com recomendações para evitar práticas abusivas.

O comportamento do consumidor brasileiro na Black Friday

Estudos apontam que o consumidor local é um dos que mais pesquisa antes de comprar.

Relatório da Google Consumer Insights revela que mais de 70% dos brasileiros começam a procurar preços semanas antes do evento.

Além disso, mais de 80% comparam preços em diferentes plataformas, o que reflete um comportamento racional frente ao histórico de fraudes.

Alguns padrões observados:

  • Forte busca por eletrônicos e eletrodomésticos
  • Aumento no uso de carteiras digitais
  • Crescimento de compras via smartphone
  • Atenção especial ao valor do frete e prazos de entrega
  • Preferência por marketplaces conhecidos

Essa mudança no comportamento força o comércio a investir em campanhas mais transparentes e competitivas.

Os principais riscos durante a Black Friday

A Black Friday é um dos períodos com maior incidência de golpes digitais no Brasil.

Empresas de prevenção a fraudes, como a ClearSale, registram picos de tentativas de fraude durante o evento, especialmente em compras de alto valor.

Entre os golpes mais comuns estão:

1. Sites falsos

Cibercriminosos criam páginas que imitam lojas como Magazine Luiza, Casas Bahia, Amazon e Shopee.

O objetivo é coletar dados bancários ou receber pagamentos sem entrega.

2. Phishing

Ocorre quando golpistas enviam links por e-mail, SMS ou redes sociais, direcionando o usuário a páginas falsas.

O phishing aumenta até 400% na semana da Black Friday, segundo dados da PSafe.

3. Golpes com PIX

Golpistas enviam QR Codes falsos ou alteram chaves aleatórias.

Como o PIX é instantâneo, o consumidor perde o valor rapidamente.

4. Vendedores fraudulentos em marketplaces

Em plataformas como Mercado Livre ou Shopee, vendedores podem simular bons preços para aplicar golpes, desaparecendo após receber pagamento.

5. Manipulação de preço

Lojas podem elevar valores dias antes da Black Friday e simular descontos artificiais.

Esses riscos reforçam a necessidade de verificar informações antes de realizar qualquer compra.

Importância do planejamento financeiro na Black Friday

A Black Friday pode ser vantajosa quando alinhada ao planejamento financeiro do consumidor.

O ideal é definir:

  • Produtos prioritários
  • Limites de gastos
  • Meios de pagamento
  • Prazos de entrega
  • Lojas confiáveis

Planejar evita compras por impulso e diminui as chances de cair em golpes ou endividamento.

Ferramentas de educação financeira, como o Banco Central – Cidadania Financeira, oferecem orientações importantes.

Como analisar o histórico de preços?

O histórico de preços é uma das principais armas contra fraudes.

Sites que fazem esse acompanhamento mostram se o desconto é real.

Os mais utilizados são:

Essas ferramentas permitem identificar:

  • Preços inflados previamente
  • Promoções com valores antigos
  • Variações suspeitas
  • Tendências de queda dias antes da Black Friday

Como identificar lojas confiáveis

A reputação da loja é determinante na segurança da compra.

Antes de finalizar um pedido, recomenda-se consultar plataformas como:

Visto isso, verifique:

  • CNPJ ativo 
  • Certificado digital (cadeado no navegador)
  • Página “Sobre Nós” e “Política de Troca”
  • Endereço físico e telefone funcional

10 dicas para não cair em golpes na Black Friday

Pessoas reunidas em uma loja durante o dia da Black Friday.

Aqui estão as 10 recomendações fundamentais, baseadas em estudos, entidades de defesa do consumidor e boas práticas de segurança digital:

1. Pesquise o histórico de preços antes de comprar

O histórico de preços é essencial para identificar descontos falsos.

Sites como Buscapé e Zoom mostram gráficos que revelam se o preço realmente caiu.

Se o valor tiver aumentado pouco antes do evento, desconfie.

2. Verifique a reputação do vendedor

Consulte avaliações no Reclame AQUI e no Consumidor.gov.

Lojas com histórico de problemas, atrasos ou má reputação devem ser evitadas.

Também cheque comentários de compradores nas páginas do próprio marketplace.

3. Digite o endereço da loja no navegador

Nunca clique diretamente em links recebidos por WhatsApp, SMS ou redes sociais.

Phishing é um dos principais mecanismos de golpe na Black Friday.

Digite manualmente o endereço oficial da loja no navegador.

4. Prefira meios de pagamento seguros

Utilize cartões de crédito com proteção antifraude ou carteiras digitais confiáveis.

O cartão oferece chargeback, recurso que facilita ressarcimentos.

No PIX, verifique cuidadosamente nome e CNPJ da loja antes de pagar.

5. Desconfie de ofertas muito abaixo do mercado

Golpes costumam envolver preços muito inferiores aos praticados normalmente.

Compare valores em diferentes lojas para evitar cair em promoções irreais.

6. Use redes seguras para comprar

Evite Wi-Fi público e prefira redes privadas com senha.

Conexões inseguras facilitam interceptações de dados.

7. Documente toda a compra

Registre prints da oferta, do valor e dos comprovantes.

Isso ajuda em reclamações no Procon ou processos de chargeback.

8. Baixe aplicativos somente das lojas oficiais

Golpistas criam apps falsos para roubo de dados.

Baixe apenas via Google Play ou App Store e verifique comentários e número de downloads.

9. Evite ofertas enviadas por pessoas desconhecidas

Perfis falsos no Instagram e Facebook são comuns, assim como anúncios oportunistas.

Prefira sempre lojas oficiais com domínio próprio.

10. Leia a política de devolução e prazo de entrega

Empresas sérias informam claramente políticas de troca, arrependimento e prazos.

A ausência dessas informações é um grande sinal de alerta.

Primeiro passo

EJFGV
EJFGV

A Black Friday é um evento relevante para consumidores que buscam economia, mas também é um período de atenção redobrada.

Golpes digitais, manipulação de preços e sites fraudulentos tornam indispensável adotar práticas de verificação, pesquisa e cautela.

Com planejamento, checagem de reputação e uso de ferramentas seguras é possível aproveitar ofertas reais e evitar prejuízos.

Conheça as consultorias da EJFGV e prepare o seu negócio para datas comerciais importantes do ano.

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