A Copa do Mundo 2026, organizada pela FIFA, deve impulsionar uma das maiores transformações recentes da indústria global da comunicação.
Mais do que um torneio esportivo, o evento se tornou uma plataforma internacional de mídia, dados, entretenimento e publicidade multicanal, capaz de mobilizar bilhões de dólares em investimentos publicitários ao redor de todo o mundo.
A Copa do Mundo 2026 será sediada simultaneamente nos Estados Unidos, Canadá e México e já é considerada pela FIFA a maior edição de todos os tempos. Este ano, em vez de 32 equipes, entrarão em campo 48 seleções, divididas em 12 grupos com quatro times cada.
A organização do evento afirma que o novo formato deverá ampliar o inventário comercial disponível para os patrocinadores, emissoras de televisão, plataformas digitais e empresas de tecnologia, que buscam alcançar novos públicos e maximizar as suas visibilidades no período da competição.
De acordo com uma projeção da WARC Media, divulgada em análises de mercado reproduzidas pela imprensa especializada, a Copa do Mundo 2026 deverá movimentar cerca de US$ 10,5 bilhões, aproximadamente R$ 53 bilhões, em investimentos publicitários globais somente no período dos jogos.
A projeção confirma como a competição ultrapassou o limite do campo esportivo e passou a operar como um ativo estratégico de mídia a nível internacional. Além disso, é importante destacar que o comportamento do público também mudou profundamente nos últimos anos.
Quem traz a revelação é a Nielsen, cujos dados indicam que o consumo sobre o gênero esportivo está cada vez mais conectado às plataformas de streaming, ao uso simultâneo de telas e à interação em plataformas de mídia social (redes sociais), como Instagram, TikTok, X (antigo Twitter) e Facebook.
Efeitos da hiperconectividade
Este cenário de hiperconectividade traz alterações profundas às lógicas tradicionais de campanha publicitária. O primeiro efeito dessa mudança é o redirecionamento do investimento das marcas. Em 2026, a publicidade associada à Copa do Mundo deixou de depender exclusivamente da televisão aberta, por exemplo.
Nos dias de hoje, pequenas, médias e grandes empresas já redistribuem os seus investimentos entre plataformas digitais, creators, mídia programática, ações orientadas por dados em tempo real (auxiliadas por inteligência artificial) e experiências imersivas/interativas, a partir da conexão entre diferentes dispositivos inteligentes.

O segundo efeito das alterações no consumo digital é o crescimento da economia por atenção. Em eventos do gênero esportivo, grandes empresas disputam segundos de engajamento em um ambiente marcado pelo excesso de conteúdos e fragmentado no que diz respeito à audiência.
Em resposta a isso, setores responsáveis por assessoria de comunicação e relações públicas têm produzido campanhas ainda mais rápidas, contextualizadas (tendem a se esgotar no período do consumo) e integradas ao comportamento omnichannel (multicanal) dos consumidores virtuais.
O terceiro efeito é o emprego de inteligências artificiais generativas e de ferramentas de análise comportamental para acompanhar interações durante as partidas, identificar tendências de forma instantânea e adaptar peças publicitárias conforme o desempenho das campanhas nas plataformas digitais (Google Ads, Facebook Ads etc.).
Tópicos do texto
Quer entender mais sobre este assunto? Então, confira quais tópicos serão abordados neste artigo:
- O legado da Copa do Mundo no mercado publicitário
- A revolução da internet nas transmissões da Copa do Mundo
- Monitoramento dos resultados em tempo real
- 5 formas de a sua empresa aproveitar a Copa do Mundo 2026 em tempo real
- 1. Consumo multiplataforma: o torcedor assiste em várias telas ao mesmo tempo
- 2. Creators no comando: a descentralização da mídia esportiva
- 3. Inteligência artificial nas campanhas da Copa
- 4. Ativações fora da transmissão: fan fests e experiências de marca
- 5. Publicidade geolocalizada: anúncios que seguem o torcedor
- Como aproveitar a Copa do Mundo no marketing de sua empresa?
- 1. Atenção constante às trends das plataformas digitais
- 2. Conteúdos otimizados para SEO e GEO
- 3. Converse corretamente com o seu público-alvo
A EJFGV deseja a você uma excelente leitura. Ao final do texto, deixe algum comentário, apresentando a sua opinião ou dúvida sobre o conteúdo discutido no artigo desta semana.
O legado da Copa do Mundo no mercado publicitário

Crédito: reprodução/Associated Press (AP)
A Copa do Mundo construiu ao longo das décadas um legado diretamente atrelado à evolução da publicidade global. Desde os anos 1970, o torneio funciona como um espaço de experimentação para novas tecnologias de transmissão, formatos comerciais e estratégias de comunicação de massa.
A edição de 1970, sediada no México, foi a primeira transmitida em cores para diversos mercados internacionais. Esse avanço tecnológico ampliou o interesse de grandes marcas globais e transformou a experiência televisiva em um ativo publicitário de escala mundial.
Dados do Fórum do Sistema Brasileiro de Televisão Digital (SBTVD) explicam que a TV 1.5, ainda analógica, revolucionou o consumo dos conteúdos ao possibilitar a transmissão a cores. As marcas identificaram nessa evolução uma nova oportunidade de serem conhecidas, reconhecidas e aproximadas dos consumidores.

Crédito: reprodução/Footure
Já nos anos 1990, a competição passou a posicionar o marketing esportivo como estratégia central de branding internacional. A Copa de 1994, realizada nos Estados Unidos, ajudou a aproximar o futebol do mercado norte-americano e ainda fortaleceu o interesse de multinacionais em patrocínios esportivos de grande porte.
A revolução da internet nas transmissões da Copa do Mundo

Crédito: reprodução/Reuters
A partir dos anos 2000, a internet alterou novamente o ecossistema da comunicação esportiva. Marcas deixaram de atuar apenas com exposição visual em placas e outdoors, além de comerciais televisivos, e passaram a investir em conteúdos próprios e originais, ações digitais e relacionamento contínuo com torcedores.
Segundo a Nielsen, o crescimento do streaming esportivo se tornou uma das maiores tendências recentes da indústria midiática. Para se ter ideia: documentários esportivos em plataformas digitais acumularam mais de 16,9 bilhões de minutos assistidos somente em 2024, uma alta de 113% em relação a 2021.
As plataformas de mídia social (redes sociais) também ampliaram o alcance comercial do torneio. Durante a Copa do Catar, em 2022, empresas passaram a operar campanhas em tempo real com creators, memes, vídeos curtos e estratégias de engajamento imediato.
É importante ressaltar que esta nova tática da indústria reduziu a dependência de formatos publicitários tradicionais, mas não zerou o direcionamento de investimentos para tais. Por isso, mídias tradicionais, como rádios, TVs abertas ou sob assinatura, físicas (como os impressos), ainda estão no radar dos escritórios de marketing.
Monitoramento dos resultados em tempo real
Outro legado é a profissionalização da mensuração de resultados. Plataformas de mídia, institutos de pesquisa e empresas de analytics passaram a monitorar comportamento, tempo de atenção, engajamento e intenção de compra durante as partidas.
Tradicionalmente, os resultados das campanhas publicitárias eram traduzidos dos índices de audiência mensurados pela Kantar Ibope Media. No entanto, com o avanço da plataformização, o acompanhamento dos resultados ficou muito acessível às grandes, médias e pequenas empresas.
Mais do que em qualquer outra edição, a Copa do Mundo 2026 deverá oferecer uma gama de ferramentas para os publicitários identificarem forças, fraquezas, oportunidades e ameaças em suas campanhas. Com as redes sociais, erros podem ser convertidos em acertos por meio de táticas bem pensadas.
Gafes, que são falhas, improvisos ou situações fora do roteiro, antes podiam ser vistas como um risco à reputação da marca, mas, hoje, pode ser transformada em uma jogada de marketing excepcional, que, tal como em uma partida de futebol, poderá reverter o placar e dar vitória à empresa.
Descubra outras surpresas que a edição deste ano da Copa do Mundo deverá entregar ao mercado publicitário:
5 formas de a sua empresa aproveitar a Copa do Mundo 2026 em tempo real

Crédito: reprodução/Shutterstock
A principal novidade da Copa do Mundo 2026 será, sem dúvidas, a sua dimensão comercial inédita.
De acordo com a FIFA, o torneio terá 104 partidas, número 62% superior às 64 disputas do formato anterior. Isso tende a ampliar significativamente o volume de mídia disponível para patrocinadores e emissoras, com os quais a organização do evento fechou contrato previamente.
A realização simultânea em três países também cria novas possibilidades de regionalização publicitária. Marcas poderão adaptar campanhas conforme o idioma, comportamento de consumo e perfil cultural dos públicos localizados nos três países-sede.
Dados da Nielsen projetam que 37% da população dos Estados Unidos afirmam que o interesse pelo futebol deve crescer antes mesmo do início da competição. Vale mencionar que os EUA já possuem cerca de 62 milhões de fãs desse esporte, o que os posiciona como o quarto maior mercado consumidor de futebol do mundo.
Com isso, esse crescimento transforma os Estados Unidos em um território ainda mais estratégico para empresas de mídia, plataformas de streaming e gigantes da publicidade digital.
Levando em conta todo esse contexto, a EJFGV separou 5 formas de a sua empresa aproveitar a Copa do Mundo 2026 em tempo real. Veja:
1. Consumo multiplataforma: o torcedor assiste em várias telas ao mesmo tempo

Crédito: reprodução/Estadão
Primeiramente, é necessário destacar que a Copa do Mundo 2026 deverá fortalecer, mais do que nunca, o streaming esportivo.
Conforme a Nielsen, o consumo multiplataforma se tornou dominante entre os fãs de esportes, especialmente entre os espectadores jovens que acompanham partidas utilizando televisão, celular e plataformas de mídias sociais simultaneamente.
A chegada da TV 3.0, ainda que em fase de teste em domicílios selecionados, deverá expandir a imersão e a interatividade ao longo das transmissões das partidas da Copa.
Os telespectadores poderão acessar widgets, votar em enquetes, conferir dados e informações sobre a seleção, comprar produtos exibidos na TV e ainda utilizar o celular como segunda-tela durante os jogos. Ou seja, entrará em ação o consumo multiplataforma.
A próxima fase da TV aberta no Brasil dará também às marcas possibilidades nunca antes vistas de anunciarem produtos e serviços para milhões de espectadores. A Copa do Mundo 2026 será o primeiro grande ensaio dos publicitários, comunicadores e cientistas da computação para a TV 3.0.
O evento será ainda mais transmídia e expansivo. Isto é, não será limitada a uma única tela, mas irá percorrer diferentes dispositivos, de modo a ampliar o leque de possibilidades e interesses dos espectadores. Ou seja, veremos as tecnologias a serviço do entretenimento popular.
A partir de junho, o setor nacional de marketing estará atento a uma das maiores transformações da história do mercado audiovisual brasileiro. A mudança deverá contemplar desde os pequenos até os médios e grandes negócios do país.
2. Creators no comando: a descentralização da mídia esportiva

Crédito: reprodução/Getty Images
A chamada economia dos criadores também ganhará protagonismo inédito.
Os conhecidos influenciadores, streamers e produtores independentes passarão a operar como canais estratégicos para marcas durante a competição. Por outro lado, isso deverá reduzir a centralidade da mídia tradicional nas campanhas esportivas.
Pesquisa conduzida pela Youpix em parceria com a Nielsen confirma que os criadores de conteúdo já influenciam diretamente na jornada de compra digital. No Brasil, 80% dos consumidores compram produtos indicados justamente por influenciadores, projeta a pesquisa. Agora, imagine esse fenômeno somado às celebrações da Copa.
Como destacamos anteriormente, a geração Z está no centro das atenções dos publicitários na Copa 2026 e existe uma razão para isso. 47% desse público diz confiar bastante nas recomendações de influenciadores durante as compras. Os dados são de uma pesquisa conduzida pela parceria InstitutoZ e Youpix.
Por isso, mais do que em qualquer outra edição da Copa do Mundo, quem também entrará em campo serão os creators.
3. Inteligência artificial nas campanhas da Copa

Crédito: reprodução/Unifor
A Copa do Mundo 2026 ainda deverá ampliar a aplicação das inteligências artificiais generativas nos trabalhos de marketing. As ferramentas ficarão responsáveis por prever comportamentos dos consumidores, adaptar anúncios automaticamente e personalizar experiências conforme as preferências identificadas em tempo real.
A expectativa é de que a IAs sejam aplicadas também na captura de cortes (vídeos curtos) das partidas para a publicação em plataformas, como YouTube Shorts, Reels (Instagram) e TikTok. Além disso, as ferramentas deverão legendar, produzir capas e roteirizar centenas ou milhares de conteúdos, com os quais teremos acesso.
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4. Ativações fora da transmissão: fan fests e experiências de marca

Crédito: reprodução/G1
Outra influência importante será a expansão das ativações publicitárias fora das transmissões oficiais dos jogos. As marcas passaram a entender que o consumo relacionado à Copa do Mundo vai muito além dos 90 minutos das partidas.
Empresas deverão investir em fan fests, experiências urbanas, espaços interativos, eventos paralelos e ações presenciais voltadas para o engajamento emocional dos torcedores. Vale destacar que essas iniciativas ampliam o tempo de exposição e o fortalecimento das marcas.
Para se ter dimensão: 91% dos consumidores afirmam ter sentimentos mais positivos em relação às marcas após participarem de experiências presenciais promovidas por empresas, segundo relatório da EventTrack.
Essa tendência também fortalece o marketing experiencial. O objetivo deixa de ser apenas vender produtos e passa a envolver a criação de memórias, a participação ativa do público e a construção de vínculo afetivo com os consumidores.
Grandes patrocinadores já utilizam espaços interativos para promover jogos digitais, realidade aumentada (RA), desafios esportivos e distribuição de conteúdos exclusivos durante eventos internacionais.
Durante a Copa, essas experiências devem ganhar ainda mais relevância devido à expectativa de circulação massiva de turistas entre as cidades-sede.
5. Publicidade geolocalizada: anúncios que seguem o torcedor

Crédito: reprodução/Fast Company Brasil
A publicidade geolocalizada deverá crescer durante a competição. Plataformas digitais permitem que as marcas direcionem anúncios específicos conforme a localização dos consumidores em tempo real.
Essa tecnologia será especialmente importante em cidades-sede com alta circulação de turistas. Restaurantes, hotéis, aplicativos de transporte, varejistas e estabelecimentos comerciais poderão criar campanhas extremamente segmentadas durante os jogos.
Segundo pesquisa da Think with Google, buscas móveis por termos relacionados a “perto de mim” cresceram mais de 500% nos últimos anos. Isso demonstra o aumento do consumo baseado em localização imediata.
Empresas poderão ativar anúncios específicos próximos a estádios, aeroportos, zonas turísticas e áreas de concentração de torcedores. Esse modelo aumenta a relevância contextual e o potencial de conversão.
Outro impacto relevante envolve o varejo físico. Lojas poderão adaptar promoções e ações comunicacionais conforme a movimentação de torcedores nas regiões onde estiverem localizadas.
Como a sua empresa pode aproveitar a Copa do Mundo 2026 começando agora?

Crédito: reprodução/CNN Brasil
Empresas que desejam aproveitar a Copa do Mundo 2026 precisam compreender que o evento funciona como um ecossistema permanente de atenção e não apenas como uma sequência de partidas esportivas.
Isso significa que o planejamento deve ser organizado antes mesmo do início oficial da competição. Então, este é o momento ideal para colocar em ordem as estratégias de marketing do seu negócio.
Uma das estratégias mais eficazes envolve a produção de conteúdos contextualizados. Marcas que conseguem dialogar com comportamento, emoção e cultura do público durante a competição tendem a gerar maior lembrança e engajamento nas plataformas digitais.
Segundo a Nielsen, patrocinadores esportivos movimentaram cerca de US$ 515 milhões, aproximadamente R$ 2,5 bilhões, em valor de mídia apenas em ligas como NBA e MLB em 2025. Esse dado corrobora o potencial financeiro da associação entre esporte, entretenimento e publicidade.
1. Atenção constante às trends das plataformas digitais
Outra dica é acompanhar tendências com frequência. Empresas precisam monitorar hashtags, reações e conversas digitais durante os jogos para adaptar as suas campanhas rapidamente e aproveitar picos de audiência instantânea. Então, permaneça atento à timeline das plataformas.
Outro ponto estratégico está na integração entre canais. Campanhas fragmentadas perdem eficiência em um ambiente no qual os consumidores alternam continuamente entre televisão, redes sociais, plataformas de vídeo e aplicativos móveis.
Sendo assim, é preciso construir conteúdos que conversam entre si, mas que, ao mesmo tempo, entregam informações, dados, diversão etc. diversificados conforme os algoritmos da plataforma em que estão inseridos.
2. Conteúdos otimizados para SEO e GEO
Marcas menores podem explorar estratégias de SEO e GEO para ampliar a presença digital durante o evento. Conteúdos otimizados para buscas relacionadas à Copa tendem a gerar tráfego orgânico elevado, especialmente em plataformas baseadas em inteligência artificial generativa.
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3. Converse corretamente com o seu público-alvo
Este último tópico é crucial, pois explica por que muitas empresas não conquistam resultados no ambiente digital.
A escolha da Copa do Mundo como temática da publicação não significa necessariamente que os resultados serão estrondosos, com milhares ou até milhões de visualizações, curtidas, comentários e compartilhamentos. A concorrência na web é imensurável e conquistar holofotes nessas plataformas depende de táticas.
Ao abrir o feed do Instagram, um usuário qualquer irá se defrontar com dezenas ou centenas de conteúdos, desde os genéricos até os utilitários. Para conquistar a atenção do usuário, seja ele seu seguidor ou não, é preciso chamar a atenção. Errado está quem imagina que essa tarefa é fácil na internet.
Antes de investir em tráfego pago, por exemplo, é preciso identificar com quem a marca está dialogando nas plataformas, ou seja, qual é o seu público-alvo e quais são as suas personas. É importante também que as empresas reflitam quais são os seus objetivos e metas com os trabalhos nas redes sociais.
Por isso, antes de investir em anúncios, pode ser crucial atualizar o seu plano de negócios e o planejamento estratégico da sua empresa. A EJFGV carrega experiência nas duas áreas e conta com um plano de negócios completo, que abrange desde o marketing até o financeiro.
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